Fundação Educacional Miguel Mofarrej comemora seu cinquentenário em dezembro – Parte 11

“Sérgio Pereira foi um grande idealista que abraçou com entusiasmo a causa da Educação”

 

Afirmou a professora Conceição Santinello Pereira

em seu depoimento, registrado no livro FEMM 50 anos

 

 

A professora aposentada Conceição Aparecida Santinello Pereira, participou ativamente do processo de instalação do curso superior em Ourinhos ao lado do marido, professor Sérgio Pereira, considerado um dos responsáveis pela implantação das primeiras faculdades. Natural de Bariri (SP), Conceição foi professora de Ciências Físicas e Biológicas e Matemática em várias escolas da cidade, entre as quais, Esmeralda Soares Ferraz, Maria do Carmo Arruda da Silva, José Augusto de Oliveira e Ary Corrêa, onde se aposentou. O professor Sérgio Pereira nasceu em Botucatu, mas viveu boa parte de sua vida em Bauru onde ingressou como professor no SESI. Quando estava no segundo ano da Faculdade de Geografia, foi transferido para Ourinhos. Como não havia o curso de Geografia na região, Sérgio conseguiu aproveitar os dois anos que havia cursado para fazer História na Faculdade de Ciências e Letras de Jacarezinho (Paraná). Era supervisor de cursos do SESI e veio para Ourinhos em 1960, para atuar na região. No mesmo ano, conheceu Conceição, e dois anos depois, casaram-se. Tiveram os filhos: Sérgio, técnico em Eletrônica, Seisse Alexandra, advogada e professora e Rodrigo Augusto, professor.

A constituição da ASSIEC

O professor Sérgio, segundo Conceição, era um homem muito inteligente e trabalhador, tinha 34 anos quando ajudou a constituir a FEMM. Em 1970, criou a Associação Interestadual de Ensino e Cultura (ASSIEC) que reuniu Mário Aloízio Ferraz Egreja, Haroldo Leite Assumpção, Dr. Roald Corrêa e Antônio Consoni Viganó, mas não colocou o seu nome nessa associação e sim o da esposa Conceição. “Sérgio sempre esteve ligado à Educação e quando soube que o Colégio Santo Antônio iria fechar, porque as Irmãs estavam enfrentando dificuldades para mantê-lo, comentou comigo que isso não poderia acontecer, pois era uma instituição tradicional. Desejou que pudéssemos comprar a escola, mas não tínhamos recursos para isso. Passado algum tempo, ele chegou a nossa casa, dizendo que iria formar uma associação para evitar o fechamento e assumir a escola. Como não tínhamos dinheiro, entramos com o trabalho e os demais integrantes da associação com os recursos financeiros. Assumimos o Colégio Santo Antônio e o curso de Administração de Empresas, que estava funcionando há um ano sob a direção do professor Carlos Nicolosi, o qual também dava aulas lá. Nós então ficamos responsáveis pelo Colégio Santo Antônio e pelo curso de Administração de Empresas, que funcionava na parte de cima do prédio. Dr. Roald assumiu o cargo de diretor da Faculdade de Administração de Empresas e eu de vice-diretora, e o Colégio Santo Antônio ficando sob a direção do professor Marcelino Morales. Foram convidados para lecionar no Colégio Santo Antônio os melhores professores da época que estavam se aposentando e tinham bastante experiência de magistério no estado. O esforço de todos era colocar tudo em ordem e garantir o funcionamento das duas instituições.” A nova Fundação – “Algum tempo depois, Sérgio foi convidado para uma reunião com a participação da família Mofarrej e de outras lideranças empresariais da cidade, cujo propósito era formar uma fundação educacional em Ourinhos, para instalar faculdades. Na ocasião, disse-lhe que seria ótimo, mas ele observou que a nova entidade, com mais elementos e recursos financeiros, iria acabar assumindo a associação. A reunião demorou para começar porque aguardavam a chegada do Dr. Salem Abujamra, supervisor de ensino do estado na ocasião e que iria coordená-la. Ele não chegou a tempo, mas a reunião foi realizada e todos designaram o professor Sérgio para dar continuidade aos trabalhos de montagem dos processos dos cursos, considerando que ele era muito dinâmico e entendia bem da Educação. Sérgio começou então a trabalhar na constituição dessa nova entidade, contando com a ajuda de Ademir Lopes, Gervásio Toloto e Ivan Carvalho, funcionários da Prefeitura. Foi feito o estatuto da Fundação, registrado em cartório, e restando

providenciar os instituidores. Sérgio começou a cuidar dos processos dos cursos de Geografia, Ciências Biológicas, Letras, Desenho. Ele foi responsável por toda a parte pedagógica e intelectual da Fundação. Nós continuamos trabalhando muito, Sérgio fez muitas viagens a Brasília em busca da autorização para o funcionamento dos cursos. Era uma luta muito grande porque o MEC queria professores com experiência e titulação para lecionar e a maioria dos professores de Ourinhos não tinha. Na época, ele foi muito criticado por trazer professores de fora para lecionar, mas a titulação era uma exigência. Mesmo assim, valeu-se de muitos profissionais de Ourinhos. Ele conseguiu cem vagas para cada curso, para os períodos diurno e noturno. Após a autorização dos cursos, Sérgio e demais integrantes da ASSIEC resolveram fazer a doação do Colégio Santo Antônio e da Faculdade de Administração de Empresas para a FEMM, ficando como mantenedores da nova Fundação, com direito a voto. Nessa fase, Dr. Roald Corrêa assumiu a presidência da FEMM, por isso Sérgio trouxe Dr. Pedro Benjamin Vieira para substituí-lo. Eu continuei mais um tempo como vice-diretora. Posteriormente, Dr. Sidney Assis Novelli, de Bauru, ocupou a direção dos cursos de Ciências, Letras, Geografia e Desenho, e a professora Amália Corrêa tornou-se vice-diretora.” Segundo Conceição, o professor Sérgio, quando dispensado da Fundação, foi trabalhar, por indicação de Mário Egreja, na Fundação Educacional de Penápolis, FUNEP. Algum tempo depois, foi para Bauru, onde faleceu, aos 44 anos, em decorrência de traumatismo craniano devido a um atropelamento. A trágica morte de Sérgio não apaga, segundo Conceição, seu valor de professor, de homem idealista e entusiasta pela educação, de grande contribuidor para que a cidade de Ourinhos conquistasse o ensino superior. “A FEMM foi o resultado dos esforços de muitos e a comunidade precisa e deve reconhecer o mérito de todos, principalmente do professor Sérgio Pereira que tanto lutou pela educação”.

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