Docente de Biomedicina UNIFIO explica as variantes do SARS COV-2

O pesquisador e biomédico, docente do Curso de Biomedicina do Centro Universitário de Ourinhos, professor doutor Gabriel Vitor da Silva Pinto, explica o que muda na prevenção da Covid com as novas variantes moleculares do SARS-COV2.

De acordo com o pesquisador, o medo do contágio com as novas variantes do coronavírus, tem feito governos ao redor do mundo aumentar as medidas de restrição de entrada nos seus países. Das milhares de versões do coronavírus em circulação, três delas tem causado alerta e preocupação. Mas afinal de contas, o que é uma nova variante do coronavírus?

O professor Gabriel explica que como todo organismo, os vírus buscam se proliferar e, nesse processo, se modificam geneticamente, enquanto um vírus vai se replicando no organismo de indivíduos infectados, uma diversidade de erros, também chamados de mutações ocorrem no seu material genético dando origem a novos vírus que carregam essas mutações, que nada mais são do que alterações no RNA do vírus.

Segundo o professor doutor Gabriel mutações são mudanças que ocorrem, de forma aleatória, no material genético de um vírus e quando essas mutações não trazem vantagens para os novos vírus, elas são simplesmente eliminadas. No entanto, se esses erros trouxerem vantagens para a sua proliferação, essas mutações são mantidas e, aí, uma nova variante do vírus surge e passa a ser disseminada.

Alguns vírus têm taxas de mutação muito elevadas, mas isso não é universal. De forma geral, vírus de RNA, como o coronavírus tendem a ter altas taxas de mutação, enquanto vírus de DNA tendem a ter baixas taxas de mutação. Importante ressaltar, que a mutação é algo natural em qualquer organismo e o vírus continua sendo o mesmo.

A primeira variante molecular do coronavírus identificada primeiramente no Reino Unido, mostra sinais de que esta variante pode ser duas vezes mais transmissível. Em seguida na África do Sul, uma outra variante foi detectada, e estudos mostraram que ela é responsável por cerca de 90% das infecções no país, existem agora suspeitas de que essa nova variante consegue escapar parcialmente da resposta imune das pessoas, o que significa que anticorpos produzidos contra a versão inicial do vírus, podem não ser completamente eficazes contra uma infeção desta variante. A terceira variante encontrada no Amazonas apresenta também mudanças que tornam o vírus mais transmissível. Identificar e acompanhar o surgimento de mutações e novas variantes do coronavírus só é possível através de análises genéticas laboratoriais, feitas a partir de amostras coletadas de pacientes positivos para COVID-19.

A partir de amostras positivas, os pesquisadores investigam a presença de eventuais mudanças na sua estrutura viral. O controle de disseminação do vírus é a principal estratégia para se evitar o surgimento de novas variantes.

O Dr Gabriel Vitor destaca um ponto importante com relação às medidas de proteção, a forma como nós nos protegemos do vírus, as medidas de prevenção e os mecanismos físicos pelos quais o vírus se transmite, não mudaram. Todas as medidas de prevenção, que funcionavam para a forma inicial do vírus, como o distanciamento físico, o uso correto de máscara com boa qualidade de filtração, e principalmente a boa ventilação dos ambientes, continuam funcionando, independente da variante. Ou seja, os mecanismos de transmissão não mudaram, bem como as formas de se proteger.

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