Dia do Idoso – Professores da UATI-UNIFIO falam da experiência de trabalhar com a terceira idade

Rose Pimentel Mader

 

 

Dia 1º de outubro é comemorado o Dia do Idoso, uma data especial para a sociedade atual que cada vez mais busca novas alternativas de comportamento que possam contribuir para uma vida mais saudável e produtiva na terceira idade. E neste contexto, uma Universidade Aberta voltada aos idosos, muito tem contribuído para que as pessoas tenham a oportunidade de encontrar novos caminhos para viver com saúde, alegria e entusiasmo esta etapa de suas vidas.

Em Ourinhos, a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), do Centro Universitário UNIFIO, há mais de 15 anos, cumpre com louvor esta missão, acolhendo alunos interessados em viver melhor este momento da vida, promovendo além do necessário convívio social, a troca de experiências e de conhecimentos que colaboram para uma vivência mais feliz.

A coordenadora da UATI Gerda Kewitz e professores que integram o corpo docente da Universidade falam da experiência de trabalhar com os idosos e dos benefícios que as aulas e o convívio social proporcionam aos alunos.  

 

 

Coordenadora Gerda Kewitz

 

 

Gerda Kewitz que coordena a UATI há 11 anos, desde 2011, tem formação como secretária bilíngue (já atuou em grandes corporações nacionais) e artes plásticas e uma vasta experiência como professora para alunos da terceira idade tendo ministrado aulas para idosas, em São Bernardo do Campo, Sorocaba, Águas de Santa Bárbara e Ourinhos.

“Coordenar a UATI-UNIFIO e ministrar aulas de Atividades da Memória tem sido um grande aprendizado para mim. Comecei em 2010 na UATI, como professora de Atividades da Memória e em 2011 assumi a coordenação a convite da Dalva Borges Ramos, estando a frente até a presente data. A UATI tem recebido todo apoio da Fundação Educacional Miguel Mofarrej (FEMM) e da UNIFIO nesses anos todos de atividades que já são 16 anos sem interrupção, inclusive com as aulas remotas nesse momento tão difícil que estamos vivendo”, afirmou.

“Para as alunas da UATI, as atividades que apresentamos, é de grande valia e interesse, ressaltando que muitos talentos que estavam adormecidos afloraram e nos surpreendem a cada ano que passa”, destacou.

“Com a colaboração do professor Gilson Castadelli-NTEA, a UATI pode estar à frente com as aulas remotas e treinamento oferecido as alunas e professores. Parabéns a todos (as) idosas que não mediram esforços para continuarem participando com alegria e entusiasmo das aulas”, finalizou.

 

Professora Daniele Montuleze

 

A professora de música Daniele Montuleze que estudou piano e canto coral no Conservatório Santa Cecília é graduada em Licenciatura em Música pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especialista em Regência pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). Foi diretora da Escola Municipal de Música de Ourinhos (EMMO), atuou também como maestrina dos corais da EMMO e foi integrante da equipe organizadora dos Festivais de Música de Ourinhos (FMO), onde também atuou como professora de Canto Popular e de Coral Infantil. Desde 2004 é professora de Canto Popular, Regência e Educação Musical do curso de Artes Visuais da UNIFIO e do curso Técnico em Canto e Regência da ETEC Jacinto Ferreira de Sá. Atua como maestrina dos Corais do Centro Cultural Special Dog, em Santa Cruz do Rio Pardo e trabalha na produção de espetáculos e Cantatas de Natal deste projeto, desde 2014.

Desde 2008 é professora de Educação Musical na UATI-UNIFIO. A professora Daniele destaca que “por ser um curso frequentando por pessoas da terceira idade, cada aluno que já passou, ou que está na UATI, traz consigo uma rica bagagem de suas histórias. São diversas as experiências vividas, porém, todos têm um único anseio: continuar aprendendo e ampliando suas experiências”.  

“A UATI possui uma grade de aulas abrangente, aulas bem planejadas e ministradas por um corpo docente capacitado. Os professores são gabaritados e competentes em suas áreas de ensino. A coordenação da UATI preza pela formação integral dos alunos, reformulando e ajustando as matérias ofertadas, com enfoque em atividades que estimulam o raciocínio, as emoções e ampliam o convívio social e cultural.  Por isso a grande importância da UATI no cenário da educação da cidade de Ourinhos e região”, afirma Daniele.

“Todos os setores de ensino sofreram um grande impacto durante os meses de total isolamento social, uma das medidas de prevenção contra o COVID-19. Para a UATI o impacto foi ainda mais sério, por ser tratar de um corpo discente formado por pessoas da terceira idade, enquadradas no grupo de risco. Porém, as aulas em formato remoto, foram a grande alternativa para manter o vínculo com os alunos. Desafio imenso para todos, pois implicou em treinamento e domínio de equipamentos eletrônicos como computadores, celulares e, também, das habilidades para utilizar plataformas de ensino. Obstáculos vencidos, com a ajuda da equipe de TI da UNIFIO e o empenho da coordenação, professores e alunas da UATI. Hoje, mesmo com prenúncios de controle da pandemia, a UATI sustenta suas atividades de maneira remota. Promovendo grandes momentos de ensino e aprendizagem, além de festividades e comemorações, com o empenho e animação de todo o grupo. Resultados positivos, conquistados por pessoas sempre empenhadas em manter a saúde mental, a amizade e o companheirismo”, ressalta Daniele.

 

 

Professora Michelli Roli

 

A professora Michelli Maria Roli de Freitas que ministra as aulas de dança na UATI é formada em balé clássico pela Escola Municipal de Bailado de Ourinhos; em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas pela UNIFIO; professora e coreógrafa de balé clássico e danças populares na Escola Municipal de Bailado de Ourinhos há 20 anos; discente no curso de Fisioterapia da Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos.

“Atuo na UATI como professora de dança há três anos e considero uma experiência surpreendente, pois, a todo momento estou resignificando situações, transformando meu olhar sobre a dança para muito além de formas e gestos. Essa percepção também é evidente no desenvolvimento das alunas, que através de seus movimentos e expressividade descobrem infinitas possibilidades de seus corpos em movimento”, afirma Michelli.

“A UATI desempenha um papel extremamente importante para nossas alunas, sobretudo no aspecto da qualidade de vida. Através das aulas, cria-se um ambiente propício para o desenvolvimento de alunas pensantes, criadoras e ativas, que muito contribuem para um envelhecimento saudável e ativo”, enfatiza.

“As aulas remotas nos permitiram não perder contato com nossas alunas. No início, foi um grande desafio nos adaptarmos à tecnologia, mas à medida em que nos familiarizamos com este processo, tudo começou a fluir bem, nos proporcionando novas possibilidades de abordagem nas aulas, que talvez não seria possível em aulas presenciais. A distância é a grande dificuldade para quem usa o corpo como instrumento de estudo, pois as telas dos celulares/computadores, muitas vezes pequenas, dificultam o entendimento da movimentação pelas alunas. Porém, encontramos o “nosso jeito” de fazer a aula, explorando o que temos disponível, chamando a atenção para partes do corpo visíveis na pequena tela e assim, seguimos evoluindo na consciência corporal, melhorando a expressividade, trabalhando a criatividade e sobretudo mantendo a alegria e o alto astral tão característico de nossas alunas”.

 

 

 

Professor Reinaldo Gomes de Oliveira

 

 

 

Professor Reinaldo Gomes de Oliveira, ministra as aulas de Ginastica Sênior na UATI, desde 2019.

Educador Físico, com pós graduação em Atividade Física e Esporte para Saúde, especialista em  Hatha-Yoga  e  em  Zen-Shiatsu; MBA  em  Ergonomia  e especialização em Prescrição de Exercícios para Idosos.  Aplica o  Shiatsu  Expresso  em  empresas  e  instituições  desde  2000.  Atua em várias instituições na região.

“Trabalhar com a terceira idade é transformador. Temos que aprender as novas dos novos alunos. Isso é, quando se entra na terceira idade, você quer viver já, estar bem já. Quer dançar e se divertir, e além disso fazer a ginástica que melhore a vida diária – o equilíbrio físico, a força dos braços e das pernas para fazer um trabalho em casa e para abraçar um neto”, avalia.

“Então, para mim como professor de yoga, tive de mudar meu enfoque. Primeiro tive de aprender o ritmo, a dança, e depois os exercícios funcionais e mesmo os tá yoga adaptados às necessidades das alunas. Estudei fisiologia da melhor idade. Aprendi a ginástica na cadeira, me aprimorei e abri um novo caminho”, diz Reinaldo.

“Acho que um dos principais benefícios da UATI é proporcionar o encontro. O encontro com os amigos, o encontro com quem pensa igual, o trocar experiencias de vida e se apoiar.

Depois o exercitar a mente, se manter ativa/ativo. Ver e entender o que se passa no mundo de hoje. E por fim de mexer, ativar músculos e hormônios, equilíbrio. E a UATI possibilita tudo isso para os participantes”, afirma.

“As aulas on line foram um grande aprendizado! Se dou aula remota, dou qualquer aula. Ao final da aula tem a recompensa, olhar as alunas na tela do computador (depois que saí da apresentação) e ver seus semblantes satisfeitos e tranquilos – e um pouco cansadas! A dificuldade foi para todos. Para os professores, lidarem com a tecnologia e a presença e domínio da sala.

Para as alunas a dificuldade da tecnologia – mas isso abriu ainda mais a mente delas, trouxe-as ao mundo, deu visibilidade para elas e elas viram o mundo”.

 

Professor Ricardo Gessner

 

O professor Ricardo Gessner, ministra aulas de Literatura na UATI. É formado em Letras, pela Universidade Federal de São Carlos, com mestrado e doutorado em Teoria e História Literária pela UNICAMP. Desenvolve estudos com ênfase em escrita ensaística e poética, tendo artigos e livros publicados na área.

“Estou na UATI há um ano e meio. Apesar de curto o tempo, parece que já faz décadas, devido à afinidade entre mim e as alunas. Trabalhar com a terceira idade é, no mínimo, gratificante. Considerando as aulas de Literatura, vejo diariamente a importância que a escrita criativa e as atividades imaginativas têm em suas vidas. Montamos um grupo no Whatsapp para que enviem poemas, reflexões, imagens, e a produção é diária: praticamente todo dia as alunas enviam poemas inéditos, reflexões, que nos servem de material para discutirmos em aula. Assim, além de estimular a imaginação, a criatividade (fundamental para qualquer idade e pessoa), também valoriza o trabalho das alunas, cujo nível qualitativo é cada vez maior. Dessa forma, estabelecemos uma relação de troca: troca de experiências e autoaprendizagem”, observa Ricardo.

“A UATI é de importância fundamental. O empenho das alunas durante e depois das aulas ilustra muito bem. A UATI tem acrescentado na vida delas não apenas momentos de interação social, mas de produção, seja uma produção mais intelectualizada, seja uma produção artística. Com isso, mostramos à sociedade o valor que atividades criativas têm na vida de qualquer pessoa, independentemente da idade. No caso da disciplina de Literatura, por exemplo, todo ano publica-se um livro com poemas de suas autorias; inclusive no ano passado, cuja previsão era de não haver publicação, conseguimos, mesmo assim, realizar uma versão virtual. Ao todo, já escrevemos centenas de poemas, além de participarmos de concursos literários. A UATI, por fim, permite que as alunas tenham contato com outros valores do que o mero entretenimento gratuito, ou a aridez que nosso tempo se encontra. Na UATI sabemos o valor que a imaginação e a criatividade possuem; podem não alimentar a carteira, mas alimentam outro fator, mais importante: a alma, nossas vidas”.

“A experiência com as aulas remotas foi excelente. No início houve um pouco de insegurança, algo natural, mas que se dissipou com o hábito. Assim como as aulas presenciais têm suas particularidades, as aulas remotas também e logo aprendemos a lidar. Além disso, alunas de outras cidades (inclusive capitais estaduais) estão tendo a oportunidade de ter aulas conosco. Em resumo, a UATI – Ourinhos manteve um trabalho de excelência, cujos resultados vemos diariamente”.

 

 

Professora Vanessa Kewitz

 

A professora Vanessa Kewitz, trabalha a língua inglesa com as alunas da UATI desde 2017.

No ensino da língua inglesa, começou a carreira em 1996, a princípio com crianças em aulas particulares ensinando vocabulário ilustrado. Então, através de substituições em escolas públicas desde o ensino Fundamental até o Médio, foi adquirindo experiência com diferentes perfis de alunos. Logo iniciou nas escolas de idiomas, onde atua até hoje, em Ourinhos, como ‘teacher’ e coordenadora do Centro de Ensino – FISK.

“Na UATI, me surpreendi com a vontade das alunas quererem aprender um segundo idioma mesmo com tantas adversidades… Aprender uma segunda língua na terceira idade é uma forma perfeita de colocar em prática novas habilidades e manter as capacidades cognitivas durante o maior tempo possível”, explica Vanessa.

“Já sabemos que existem 5 benefícios para o cérebro: favorece a concentração; melhora as capacidades cognitivas; permite conservar a agilidade mental por mais tempo; auxilia no desenvolvimento cerebral; melhora a memória… Adquirir fluência em uma segunda língua obriga o cérebro a usar outras regiões que, habitualmente, não são empregadas pelos monolíngues. Além disso, falar dois ou mais idiomas favorece a criação de novas rotas de associação para a informação, o que cria rotas novas e alternativas para chegar a uma lembrança. Dessa forma, tanto a memória de curto prazo quanto a memória de longo prazo são reforçadas com as habilidades que devem ser empregadas e desenvolvidas na hora de aprender um novo idioma”, afirma.

“Chegamos até a elaborar uma apostila de inglês (produzida com apoio da FEMM) a fim de trabalhar diversos temas nas aulas, além de poder estimular aquelas que se esforçam com atividades em casa”.

“Então podemos perceber o quão importante as atividades da UATI são para nossas alunas, em todas as disciplinas, inclusive. Muitas se ocupam das atividades em aula, bem como das tarefas dadas às mesmas fora das aulas, permitindo manter seus cérebros ativos. E elas respondem de maneira satisfatória, estimulando a criação de novas dinâmicas para aulas futuras”, ressalta.

“Desde o início das aulas remotas, o aprendizado tem sido contínuo e mútuo. Todos precisamos nos ‘reinventar’ e criar meio alternativos para deixá-las envolvidas nas aulas em meio a tantas novidades. Elas nos dão muito feedback, tanto quando estamos ao VIVO, quando assistimos às gravações, ou até pelos grupos de WhatsApp. Tem sido uma experiência incrível e extremamente motivadora. Apesar do número atual reduzido de alunas, em comparação ao período em que estávamos presenciais em 2019, em virtude das dificuldades em lidar com tanta tecnologia, e muitas sem ter o auxílio de alguém por perto para ‘socorrer’ no momento de conexão das aulas, as alunas que persistiram de maio de 2020 até agora promoveram uma maior aproximação mesmo estando conectadas virtualmente. A vontade é imperativa!”, comemora Vanessa.

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